Amor siâmes

O amor te fareja e encontra a si mesmo.

Te cheira nos cantos,

nas curvas dos teus olhos, nuca, umbigo, virilha.

O amor que primeiro acaricia a tua aura.

A região entres os pelos eriçados e a invisível energia.

O amor encontra espaço entre teus átomos,

entra no citoplasma de tuas células

e desvirtua a rotação de teus elétrons.

O amor muda a tua constituição.

Faz o meu cheiro parte de tua saliva,

faz de minhas mãos pentes para os teus cabelos

e aparador para o teu rosto.

O amor nos iguala porque nos funde.

Me dá uma face cheia de dedos,

e entre os seios, uma cabeça,

e entre as pernas, um corpo,

e onde sangra, um outro liquido.

Em meus vazios, transborda e mora.

Esse amor siamês que fecha minhas pálpebras com teu gozo.