O que chamam errar, eu chamo de experienciar a vida. O que chamam de decisões ruins, eu chamo de capítulos interessantes de uma história. O que avaliam como quedas, eu sinto como incansáveis tentativas de voos. O que punem como irresponsabilidades, equívocos, imaturidades, eu me absolvo com a impunidade do verbo amar. Defendo o descontrole natural do caminho. O que nomeiam pensamentos vãos, escolhas absurdas, frouxidão dos atos, fragilidade do olhar, eu não classifico, apenas encho o peito de encanto. Dos assuntos que não cabem nas mesas de bar eu respiro os dias. Poderia dar as mãos para tudo o que foge, para o que cai, quebra e não se reestabelece, poderia deitar junto aos restos, poderia conversar profundamente com as ondas do mar. Poderia morar nos porões e entender os ratos. Poderia gritar tudo o que andam falando aos cochichos. Poderia viver desdizendo o mundo.