Ela tem um coração que bate baixinho, descompassado, porém insistente.
No ritmo de um samba triste.
Cheio de lirismo e cuidados.
Em tudo na vida ela é devagar, porém intensa
Nos aprendizados, nos passos, nos sentimentos.
Ela toca o mundo com a ponta dos pés mas vai até submergir por inteiro.
Olhos fechados, cabeça, alma e coração.
Ela nunca chegou em primeiro lugar em nada na vida, nunca alcançou o topo.
Nunca foi rápida para resolver um problema, encontrar uma saída, entender os jogos. 
É que ela sabe que é necessário um silêncio para compreender à fundo. É preciso aprender a ouvir as vozes mudas do mundo. É preciso se desconstruir para se misturar com outros átomos e assim perceber uma flor, uma pedra, um cheiro.
É preciso deixar o coração seguir assim baixinho, mesmo que às vezes solitário.
E enquanto todos correm, ela perdeu o impulso da correnteza ao parar nas margens para contemplar a dança da última folha que caia da árvore. 
Ela tem um ritmo vagaroso, do tipo que nunca vai alcançar o topo, mas que vai penetrar todos os profundos. 
E foi nesse vagar titubeante que ela, sem querer, aprendeu a voar nos universos ocultos.