Distraída de ignorâncias

Não abandonou o sentido da ferida
Por agora só ver sua casca
Não conseguiu se esquecer do homem
Dentro da fantasia de palhaço
Um mergulho no copo de whisky
Para ver o que há dentro da sala:
A tristeza nos sorrisos festivos
O desespero das pessoas
afogando o gosto de mofo
dos dias numa fatia doce
Os desencontros nos encontros
A frieza nas conversas bobas
A adrenalina correndo solta
num pensamento contido
E a criança estranha de canto
Se esquece de construir vidas
Ao ser surpreendida por
um voo de uma borboleta preta
Distraída de ignorâncias
Na esperteza da ingenuidade
Vê uma estrela cadente da janela
(talvez fora a última)
mas enquanto ela puder ser só sua
(assim como esta noite)
guardará todas as coisas e seus profundos:
a ferida fechada na casca
o homem escondido no palhaço
a estrela caída do céu
a menina brincando na mulher