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Ele gostava das curvas, dos traços, dos desenhos bem alinhados.
Mas ele não via a flor.
Ele buscava entender o mundo, se preocupava com economia, com aquecimento global, com as eleições norte-americanas, com o fim do mundo.
Mas ele não via a flor.
Ele conhecia as performances, compreendia as táticas, a anatomia das coisas e das pessoas, sabia como as engrenagens funcionam, mestre em fisiologia. Analisava o voo do beija-flor.
Mas ele não via a flor.
Ele entendia de arte, filosofia, política. Comprava vinho português, queijo suíço, cerveja belga. Ele falava de festivais, de mercado e de caminho certo.
Mas ele não via a flor.
Ele era um perfeccionista das formas e dos atos. Abria o livro das grandes histórias. Mas não perdia tempo com o livro de poemas.
Ele não via a flor.
Os olhos dele estavam vestidos de mundo. O peito, abarrotado de deuses, não tinha espaço para se deixar inflar e flutuar.
Ele não via a flor.
Maestro dos assuntos
mas ele não via...