Mortes Prematuras

Assim como desmamaram a criança antes do leite ter se esgotado dos seios

Do mesmo modo que se assassina um amor quando ainda há sonhos inflando a alma

Assim como o vento outonal depena a copa da árvore ainda verde e florida instituindo o fim de uma estação

E como crescem dois seios redondos no meio das brincadeiras de criança

Da mesma forma que se apagam as velas dos 80 anos antes de terminado o sentimento de aventura

E cortam o pescoço do frango de coração novo, mas de corpo grande intumescido de hormônios

Do mesmo modo que os olhos se abrem no momento exato do gozo

E um tiro certeiro atinge o peito do pássaro em pleno voo

Foi assim que parei de escrever

 

…não me importo com as mortes, desde que não sejam prematuras.

(Existe morte madura?)