O lirismo meu

Não quero o lirismo pós-doutorado,

cinquentão,

do fim do dia,

do fim do ano,

do fim da vida.

Não quero o lirismo suspiro de alívio de uma brecha que se abriu na vida e soltou um ar morno e cansado de um velho tufão.

O lirismo que não existiu porque não era importante, porque sofreu bullying e se encantuou.

E aceitou.

Não quero o lirismo que não é forte o bastante para criar espaços apesar de… tudo.

O lirismo frio,

de dicionário,

de bocejos sem significados,

nascido de fórceps,

criado na proveta.

Quero o lirismo paixão orgânica!

Que muda os ritmos no antes, no durante e no depois.

Que invade as mentes, desconserta as vidas,

que inquieta

pela beleza ou pela feiura.

Não quero o lirismo em algum intervalo de vida.

Quero a vida em algum intervalo de lirismo.