Mulher Remanescente de uma Civilização Indiana

Meu olhar alcança os recônditos escuros onde moram os seus segredos.

Minhas mãos semeiam, dançam e guardam em si quantas almas eu quiser.

Minhas terras se estendem e se multiplicam conforme o meu caminhar.

Sei tirar do mundo o que me foi negado, o que não me foi dado, mas a mim pertence.

Misturo raças, congrego línguas, meu vestido multicolorido estampa a minha vastidão espiritual.

Sei encarnar deuses. Sei ler tantos signos. Conheço as mentiras e todas as Verdades.

Vim de longe e esta é a minha casa.

Me chamam de minoria, raça nômade, estrangeira.

Mulher remanescente de uma civilização indiana.

Sou cigana.