Em Ponto de Catalepsia Projetiva

Quero escrever como quem borda.

Tardes inteiras entregue aos pontinhos,

criando quadrados que contam lendas mitológicas.

Quero escrever como quem faz artesanato.

Ponto de macramê, penas, miçangas coloridas, sementes de açaí.

Perder a mente no tatear e combinar.

Quero escrever como quem pega trilha de três horas nas pedras da encosta.

Encontrando a peça pedra que melhor se encaixa na peça pé.

O mundo sendo apenas pedras, pés e ondas.

A vida sendo apenas o percurso.

Quero escrever como um maconheiro.

Assistindo O Mágico de Oz ao som de The Dark Side Of The Rainbow.

Perdido na conexão de dois mundos.

Quero escrever com meu cérebro.

Carimbando imagens diretamente no papel.

No momento de entrega e de busca

do ritual xamãnico do ayahasca.

Quero escrever como quem canta.

De olhos fechados, soltando até o último sopro

de ar sonoro dos pulmões.

Quero escrever como quem medita.

Em ponto de catalepsia projetiva.