Caixa de Ausências

Meu coração é uma caixa de prata

guardando cinzas de ausências

que eu não assoprei no ar

que eu não deixei o mundo levar

que por medo de enfretar outras mortes

não deixei esvaziar

para que novos suspiros pudessem entrar

e fazer de novo flutuar

uma alma

Essa alma que agora se acumula,

guarda as marcas,

entope as veias

para um dia bloquear todas as fendas

do coração

e morrer de overdoses

de si mesma