Uma Noite na Palma do Mundo

Os vidros se estilhaçam em cacos estelares

Febre alta, fome de nada, nunca se perderam os olhares

que em segredo fazem o mundo extasiar

 

A taça é de vidro. O líquido é mais denso

O ciclo se completa e mantém o tempo suspenso

Afaste todo o resto, ainda não deixe a febre cessar

 

Uma noite na palma do mundo

O mar deste quarto é manso e profundo

Apague a luz, feche a cortina, não deixe ainda a vida secar

 

Dilúvio de estrelas ofuscando as outras cores

Nossas auras magnéticas repelindo todas as dores,

descartando restos amarelos numa noite estelar

 

Somos dois corações parados. Cacos de vidro no chão

A lua pousada na palma da sua mão

Apague a luz do dia, não deixe o quarto dourar

 

Sua cama é uma jangada

Eu vi todos os arrepios, não precisa dizer nada

Apenas apague a luz do sol e impeça esse mundo de acabar