Paraplégico de Atos

Às vezes a gente quer calar no ouvido.

Cegar no pensamento.

Quer ficar paraplégico de atos.

Às vezes a gente quer ser mole como uma pedra

que vai causar o tropeço 

que abre a crosta 

deixando exposta

uma alma nova.

Às vezes a gente quer ser aquela invisível presença

que chamusca uma marca sem forma

em todos os sentidos.

E causa uma dor mais difícil de ser ignorada

do que chutar o dedinho no pé da cama.

Às vezes a gente quer deixar o mundo

para tornar-se ele!