missão

é fácil escrever um poema
difícil é 
– pelas décadas que se agregam
pelos vícios que me pegam
pelos sonhos que se quebram
– não deixar morrer
o olhar de encantamento

é fácil escrever um poema
difícil é fazer do corpo templo
capturar na veia e no verso
os ritmos do silêncio

é fácil escrever um poema
talvez leve alguns minutos apenas
talvez surja num sonho
numa alvorada do peito
numa madrugada embriagada

difícil é deixar a fenda aberta
despir as máscaras
desconstruir os passos
reinventar a existência
cotidianamente

é fácil sentar e escrever um poema
difícil é resistir
e fazer da vida
poesia

brand new years eve

I don’t wanna know
what star sign your moon faces
I don’t wanna be
part of your working days
I just wanna you to see
the sun rising on me
on a special
Sunday morning

cause, babe,
I wanna be
Your brand new
years eve

No, babe, I don’t wanna be
your morning alarm
I don’t wanna be
your yawn and your easy
warm lap
I don’t wanna be
on your bed
near to your dead hands

Cause, babe,
I just wanna be
Your brand new
years eve

You are the feather tickling
my feet
The needle
piercing
my routine bubble
The unbeat of my heartbeat

And all I wanna for you and me
is only this

me deixa dançar
sozinha
me deixa falar alto
me deixa ficar
na minha

eu vim aqui só pra ouvir
o som, o samba
mexer o corpo
descompassada

tira a mão
para de perguntar
de onde eu vim
pra onde eu vou
o que eu faço

não quero saber
quanto custou
a sua viagem
para Fernando de Noronha

para de querer me impressionar!
eu não vou segurar
a sua cerveja
enquanto você tira
minha amiga pra dançar
ela também não quer
nada

a gente veio aqui
pra se divertir
It’s a girls night
e eu não sou carne
exposta no seu
mercado barato

não quero te ouvir
que sono!
sai do caminho
me deixa sambar
tira os olhos
aqui é meu território

to aqui pela banda
pela brisa, pela lua
pela rua, pelo mar
sai!
eu vim aqui só pra dançar

te impressionar
é a ultima coisa
que quero fazer na vida

sai pra lá!

eu não vou ficar sempre aqui na esquina,
plantando batata doce, 
baroa, mandioca, 
manjericão, manjerona.
Eu não vou ficar à toa
nesse sinal semi-fechado, amarelado
como o meu semi-sorriso.
Tomando cuidado, falando aos sussurros
com a sua mão.Não.
Pescando lambari
e vendo o tempo passar
cozinhando o coração devagar
enquanto você segue a risca
sua rotina de seguir a trilha
e preservar as vísceras
que poderão estar apodrecidas
quando finalmente você decidir
vir me encontra qui
nessa velha esquina

E veio a mão minar-me a face.
desenterrar-me no éden,
descobrir-me entrededos e edredons
Macular-me o corpo com bênçãos.
Um desconhecido abrigo
de estalactites cintilantes
dentro da íris a fitar-me.
Nos transfiguramos em seres alados
vinculados pela liberdade
encontrada e reconhecida
numa linha torta da vida
esculpida na palma
dessa sua mão que me mima e mina.
O que nutre a carne
não se desfaz na partida.
Quedo serenamente solitária
na verde varanda primaveril,
redonda e risonha,
cheia até as pontas
bem nutrida até
as mais recônditas tripas.
O terrestre paraíso em mim
anil